A Força Invisível: O Papel da Educação na Evolução Econômica das Nações
Por: Pietra Iris de Lucca O potencial de crescimento de uma economia depende diretamente da forma como ela desenvolve e utiliza seu capital humano. É nesse ponto que a educação deixa de ser apenas um direito social e passa a ocupar o centro do debate econômico. Na visão do economista Diego Gomes, investir em educação …
Por: Pietra Iris de Lucca
O potencial de crescimento de uma economia depende diretamente da forma como ela desenvolve e utiliza seu capital humano. É nesse ponto que a educação deixa de ser apenas um direito social e passa a ocupar o centro do debate econômico. Na visão do economista Diego Gomes, investir em educação não é apenas uma política social, mas uma das estratégias econômicas mais eficazes para sustentar crescimento de longo prazo. Sua trajetória ajuda a traduzir, com números e histórias reais, como investir em capital humano pode transformar não apenas indivíduos, mas economias inteiras.
Atualmente economista sênior no Fundo Monetário Internacional (FMI), Gomes construiu uma carreira como formulador de políticas públicas globais. Seu trabalho tem um ponto em comum: entender como fatores estruturais, especialmente educação e desigualdade, moldam o crescimento econômico de longo prazo.
Mas foi ao analisar países de baixa renda que suas conclusões ganharam contornos mais urgentes. Nessas economias, pequenas mudanças em capital humano podem gerar impactos macroeconômicos significativos.
No Níger, um dos países mais pobres do mundo, Gomes participou de um projeto que analisou os ganhos econômicos e sociais de reduzir desigualdades educacionais, especialmente entre homens e mulheres. Para tal, utilizou modelos econômicos para estimar os efeitos de maior acesso à educação sobre crescimento, produtividade e sustentabilidade fiscal. O diagnóstico era claro: o país não cresce não por falta de recursos naturais ou esforço produtivo, mas porque grande parte da sua população, sobretudo mulheres, não tem acesso pleno à educação. Isso limita diretamente a formação de capital humano e reduz o potencial produtivo da economia.
O estudo, intitulado “Macroeconomic Gains From Closing Gender Educational Gaps in Niger”, demonstrou que reduzir essas disparidades pode gerar impactos diretos no crescimento econômico, na renda e na sustentabilidade fiscal do país no longo prazo.
Em termos simples, mais educação significa mais gente preparada para trabalhar, inovar e gerar renda. Além disso, economias com maior capital humano tendem a ser mais resilientes a choques negativos e mais capazes de sustentar crescimento ao longo do tempo. Mas o efeito vai além. Quando mulheres passam a ter acesso igualitário à educação, há mudanças profundas na dinâmica familiar, na saúde, na natalidade e até na estabilidade econômica.
“Não é apenas uma questão de justiça social. É uma questão de eficiência econômica”, resume Gomes em seus trabalhos.
O diferencial da atuação de Diego Gomes está justamente na capacidade de transformar teoria em ação concreta. Ele lidera análises que são apresentadas diretamente a ministros da economia, presidentes de bancos centrais e chefes de governo. Em alguns casos, como no próprio Níger, suas recomendações foram incorporadas em planos nacionais de desenvolvimento.
Essas análises utilizam modelos econômicos sofisticados, incluindo modelos macroeconômicos com heterogeneidade social, para simular cenários e medir o impacto de políticas públicas. Os resultados permitem avaliar quantitativamente quais políticas têm maior potencial de impacto econômico. Mas, no fim, a mensagem é simples: economias que investem em capital humano crescem mais e melhor, especialmente em países com restrições estruturais significativas.
Apesar disso, muitos países ainda tratam educação como gasto, e não como investimento. Essa visão tem um custo alto, ainda que nem sempre visível no curto prazo, limitando a capacidade de crescimento de longo prazo e reduzindo oportunidades econômicas futuras.
Quando uma criança abandona a escola, o impacto não se limita à sua renda futura. Há uma perda agregada de produtividade, menor capacidade de inovação e maior pressão sobre sistemas sociais. Em escala nacional, isso se traduz em crescimento mais lento e maior desigualdade. Além de menor capacidade de enfrentar choques econômicos.
A agenda de capital humano ganhou ainda mais relevância após a pandemia de COVID-19, que ampliou desigualdades educacionais em diversos países. Estudos recentes do FMI, incluindo contribuições de Gomes, mostram que recuperar perdas educacionais será crucial para evitar uma geração com menor potencial produtivo.
Nesse contexto, políticas públicas voltadas à educação, especialmente para grupos historicamente excluídos, deixam de ser apenas desejáveis e passam a ser estratégicas.
Apesar do rigor técnico, o trabalho de Diego Gomes não se limita a modelos e relatórios. Seu diferencial está em conectar análise quantitativa sofisticada a problemas econômicos concretos. Ao lidar com países em desenvolvimento, ele observa de perto os impactos reais das políticas econômicas na vida das pessoas, e traduz essas evidências em recomendações aplicáveis a governos.
É essa combinação entre sofisticação analítica e sensibilidade social que dá força à sua abordagem, e torna suas análises particularmente relevantes para o debate econômico global.
No fim das contas, a equação é clara: reduzir desigualdades educacionais não é apenas uma meta social, mas uma das formas mais eficazes de impulsionar o crescimento econômico no longo prazo. Em um cenário global marcado por desaceleração do crescimento e desafios estruturais, investir em capital humano tornou-se uma questão central de estratégia econômica.
E, como mostram exemplos como o do Níger, investir em educação não transforma apenas indivíduos, transforma o futuro de países inteiro
